Água perdida nos sistemas de distribuição poderia atender 66 milhões de brasileiros

As perdas de água tratada no Brasil aumentaram, atingindo inaceitáveis 40,1% – volume suficiente para abastecer uma população de 66 milhões de pessoas. O dado faz parte do estudo “Perdas de água Potável (2022, ano base 2020): desafios para disponibilidade hídrica e avanço da eficiência do saneamento básico no Brasil”, organizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Asfamas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento) e a Water.org.

Produzido a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano base 2020), o trabalho revela que o desperdício diário de água tratada nos sistemas de distribuição do País equivale a 7,8 mil piscinas olímpicas ou mais de sete vezes o volume do Sistema Cantareira – maior conjunto de reservatórios para abastecimento do Estado de São Paulo.

O Brasil precisa reverter a tendência de elevação do índice de perdas na distribuição com urgência. No período de 2016 a 2020, houve aumento de dois pontos porcentuais, passando de 38,1% para 40,1%. Isso coloca o País no sexto lugar entre os países da América Latina, com resultados piores que Bolívia, Chile, Argentina, Panamá e Peru.

O estudo também aponta que a redução do índice de perda de água tratada de 40,1% para 25%, meta prevista em Portaria do Ministério do Desenvolvimento Regional, permitiria economizar cerca de 2,3 bilhões de m³ por ano, volume suficiente para atender pouco mais de 40 milhões de brasileiros.

Milton Rego, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Cloro, Álcalis e Derivados (Abiclor), destaca que passos importantes foram dados com a aprovação do novo Marco Legal do saneamento, a Lei 14.026/2020. Mas ainda há muito a ser feito pela universalização do acesso à água potável no Brasil. “O acesso à água potável é um direito dos brasileiros e um passo fundamental para o desenvolvimento sustentável do País, porque se reverte em qualidade de vida e cidadania”, destaca o executivo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a cada R$ 1 real investido em saneamento são economizados R$ 9 em saúde pública.

Dados regionalizados

As Regiões Norte e Nordeste são, segundo o estudo do Trata Brasil, as duas que detém os piores índices de perda de água tratada: 51,22% e 46,28%, respectivamente. Nas demais Regiões, o pior desempenho está com o Sudeste (38,09%), seguido pelo Sul (36,74%) e Centro-Oeste (34,16%).

O ranking por estados reflete bem os dados regionais, com cinco estados do Norte nas piores posições: Amapá (74,56%), Acre (62,08%), Roraima (60,48%), Rondônia (59,58%) e Amazonas (59,25%).

No Nordeste, o Maranhão é o representante com pior resultado, desperdiçando 59,09% da água tratada; enquanto no Sudeste a posição é ocupada pelo Rio de Janeiro (46,71%). Os três estado com menores índices de perda de água tratada são Goiás (27,66%), Mato Grosso do Sul (33,57%) e Tocantins (33,86%). Nenhum estado brasileiro atingiu a meta de reduzir as perdas para patamar inferior a 25%.