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Déficit em produtos químicos atinge US$ 27 bilhões em dozes meses, maior valor desde 2014

As importações brasileiras de produtos químicos somaram US$ 4,4 bilhões em agosto, aumento de expressivos 19,1% em relação ao mesmo mês de 2017, fazendo com que o resultado seja o maior valor de importações para o mês desde os anos de 2013 e de 2014, quando foram registrados os déficits recordes de respectivamente US$ 32 e US$ 31,2 bilhões. No acumulado do ano, as compras de produtos químicos do exterior totalizam US$ 27,6 bilhões, elevação de 14,7% frente ao mesmo período de 2017. O volume de importações, de 26,8 milhões de toneladas, aponta queda de 7,4%, apesar da recente retomada das aquisições de fertilizantes.

Com mais esse aumento nas importações, o déficit na balança comercial de produtos químicos, de janeiro a agosto, chegou a US$ 18,7 bilhões, expressivo aumento de 23,2% em relação ao igual período de 2017. Nos últimos 12 meses (setembro de 2017 a agosto deste ano), o déficit comercial atingiu a marca de US$ 27,0 bilhões, antecipando para meados do ano o resultado esperado para o final de 2018, que, a depender do comportamento do mercado interno e dos reflexos da guerra comercial entre os maiores players globais no setor químico, Estados Unidos e China, poderá ser superior aos US$ 28,0 bilhões, alcançando o mesmo patamar do déficit em produtos químicos antes da crise econômica.

Em termos de quantidades físicas, as importações foram de 4,8 milhões de toneladas, desempenho fortemente impactado pelas elevadas compras de fertilizantes e seus intermediários (praticamente 3 milhões de toneladas), cravando o maior resultado observado para um único mês em toda a série histórica de acompanhamento da balança comercial do setor, que remonta a 1989. Em relação ao mês imediatamente anterior, julho de 2018, foram registrados aumentos de 10,6% em valor e de 17,2% em volume, nas importações. As exportações, por sua vez, alcançaram US$ 8,9 bilhões, valor estável na comparação (aumento de 0,1%) com aquele registrado entre janeiro e agosto de 2017.

“Aquilo que se projetava para o final do ano [déficit de US$ 27 bi], se consumou já em agosto. A forte alta cambial e algumas turbulências na economia não inibiram o crescimento das importações, de US$ 4,4 bi nesse mês. Estamos acompanhando ‘com lupa’ os fluxos comerciais e é com muita preocupação que vemos a escalada das compras externas de produtos químicos, que foram de US$ 2,8 bi em fevereiro para US$ 4,4 bilhões em agosto’, ”, destaca a diretora de Assuntos de Comércio Exterior da Abiquim, Denise Naranjo.  Segundo ela, o excedente disponível no mercado internacional com a intensificação da guerra comercial entre as maiores economias representa uma ameaça real à produção nacional e à atração de novos investimentos e, nesse sentido, o Governo precisa garantir o funcionamento eficiente do sistema brasileiro de defesa comercial, intensificar o combate contra importações com indícios de irregularidades fiscais e administrativas e elaborar imediatamente um mecanismo de controle de comércio que impeça que o Brasil seja alvo de um surto de importações em condições predatórias decorrentes do atual desequilíbrio internacional.

 

Fonte: Abiquim Informa

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