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Mais da metade dos brasileiros não tem acesso à água potável

Passados cincos anos desde que o Brasil se comprometeu a universalizar o acesso à água, mais da metade dos brasileiros não contam com tratamento de esgoto, e dois em cada 10 brasileiros não têm água de qualidade,  resultado distante do que estimativa o governo quando assinou o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab).

Se o plano estivesse dando certo, 93% dos brasileiros teriam acesso à água tratada este ano e 76%, à coleta de esgoto, informa reportagem do jornal Correio Braziliense. Mas a realidade está bem longe disso: 83,3% e 51,9%, respectivamente, têm essa sorte, de acordo com dados mais recentes do Ministério das Cidades. Além disso, só 44,9% do esgoto é tratado, longe dos 69% previstos. “

Em entrevista ao Correio Braziliense, o professor do departamento de engenharia civil e ambiental da Universidade de Brasília (UnB),  Demetrios Christofidis, doutor em gestão de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável afirma que a situação é crítica. “Quando a população tem coleta de esgoto, não tem tratamento adequado, que é o que permite a recuperação da água. Precisa de muito mais investimento do que temos atualmente na área.”

Para conseguir universalizar os serviços até 2033, como prevê o plano, o País precisará praticamente quadruplicar os R$ 6 bilhões destinados ao setor em 2017 e investir, todos os anos até lá, R$ 21,6 bilhões, de acordo com estimativas oficiais, o que tanto especialistas quanto integrantes do governo consideram inviável, destaca o jornal. Caso sejam mantidos os níveis recentes de investimento, as metas só serão atingidas depois de 2050, com mais de vinte anos de atraso, estima a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No primeiro semestre do ano, o setor recebeu do governo R$ 2 bilhões, menos de 10% desse valor — montante que deve chegar a R$ 6 bilhões até o fim do ano, com outros R$ 4 bilhões que devem ser liberados nos próximos meses, de acordo com o Ministério das Cidades. Se a previsão se concretizar, 2018 terá o mesmo investimento de 2017 em saneamento, quase metade dos R$ 11,5 bilhões repassados em 2016. O governo atribui a redução dos investimentos à crise fiscal.

Aumentar em R$ 3,8 bilhões os investimentos do setor de saneamento produziria acréscimo de R$ 11,9 bilhões no valor bruto da produção total do país e geraria 221 mil postos de trabalho, segundo estudo da CNI.  Ou seja, a cada R$ 1 investido em saneamento, o retorno é de R$ 2,50 ao setor produtivo. Sem contar a economia em gastos com saúde, a valorização de imóveis e o aumento na produtividade dos trabalhadores.

 

Fonte: Correio Braziliense

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