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Órgão da ONU diz que surto de zika é resultado de ausência de serviços como saneamento

O surto de zika é consequência de ausência de direitos como saneamento básico e serviços de saúde para as mulheres, declarou a representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em evento do Instituto Patrícia Galvão em São Paulo.

As mulheres precisam ser o foco da resposta ao vírus zika em todo o país, enquanto o surto surge como consequência de um cenário de ausência de direitos a saneamento básico e serviços de saúde reprodutiva para as mulheres no país, disse a representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na sexta-feira (22) durante evento do Instituto Patrícia Galvão, em São Paulo.

Representante auxiliar do UNFPA, Fernanda Lopes participou do painel “Acesso à Informação e Planejamento Reprodutivo no Contexto da Zika”, ao lado da diretora de pesquisa da consultoria Data Popular, Maíra Saruê, da neuropediatra Ana Van Der Linden e da socióloga Jacqueline Pitanguy.

Fernanda destacou que o combate ao zika deve ter “centralidade no direito da escolha informada, voluntária, livre de coerção, disseminação e qualquer tipo de violência para com as mulheres, em relação ao planejamento da sua vida reprodutiva”.

Segundo ela, existe a necessidade de trazer as mulheres para o centro da resposta ao surto do vírus, resultado da ausência de garantias ao direito de acesso a serviços de saúde — como serviços de saúde sexual e reprodutiva —, mas também da ausência de saneamento, serviços de água tratada e encanada, limpeza urbana, coleta de lixo, entre outros.

“Para o UNFPA, trabalhar no contexto do zika tendo as mulheres no centro da resposta é trabalhar com a determinação social das condições de vida e saúde”, declarou Fernanda.

A especialista lembrou que as epidemias de arboviroses (dengue, chikungunya e zika) estão estreitamente ligadas à desigualdade social e ao racismo — o que reforça a importância da atenção humanizada, que só se efetiva quando ocorre livre de estereótipos, discriminação e coerção.

A socióloga Jacqueline Pitanguy destacou o desrespeito aos direitos reprodutivos das mulheres afetadas pelo vírus. Segundo ela, o conceito de direitos reprodutivos está permanentemente ameaçado por retrocessos em um país que tem uma das legislações mais restritivas do mundo.

Maíra Saruê Machado, diretora de pesquisa do Data Popular, apresentou relatório preliminar de um estudo qualitativo realizado com mulheres grávidas de João Pessoa, Recife e São Paulo. O estudo mostrou que a gravidez, em geral, não é planejada e se transforma em “um misto de alegria, tristeza e medo” — sentimentos diretamente ligados ao surto de zika e à falta de informações.

“Elas demandam mais esclarecimentos e orientações. (Querem saber) como vive uma pessoa com microcefalia, quais são as causas, como se precaver, se tem cura ou não, tratamento, vacina, enfim, querem informações”, ressaltou. A mídia, entretanto, não vem dialogando com essas mulheres, segundo a pesquisa.

“Sabemos que há várias perguntas que não têm respostas, mas várias delas já têm e essas respostas não estão chegando a essas mulheres”, frisou a especialista.

Maíra enfatizou ainda a importância de repensar a forma como a cobertura sobre o vírus está sendo construída. “A abordagem da TV, que é o principal meio de informação que elas têm, as amedronta e torna a gravidez ainda mais angustiante”, relatou.

A neuropediatra Ana Van Der Linden, uma das primeiras profissionais a identificar o aumento da incidência do novo tipo de microcefalia e demais alterações neurológicas posteriormente associadas à infecção pelo zika, destacou o erro que a mídia vem cometendo ao simplificar a abordagem do problema.

Mediadora do evento, a coordenadora da RadioAgência Nacional EBC, Juliana Nunes, defendeu a articulação das discussões entre profissionais de comunicação e saúde e as mulheres, ressaltando o papel que mídias como o rádio têm nesse processo. “Essas mulheres precisam se tornar protagonistas de suas vidas e da solução para o problema”.

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