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O atraso do saneamento básico no país

Reportagem do jornal Valor Econômico destaca que o setor de saneamento básico é o mais atrasado na oferta de serviços básicos à população. O Brasil está na 112ª posição em um conjunto de 200 países no segmento. Mais de 105 milhões de pessoas não são beneficiadas com a coleta de esgoto, enquanto somente 37,5% do esgoto é tratado.

Cerca de duas mil crianças morrem por ano vítimas de diarreia, em razão das deficiências da rede de saneamento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada real investido em saneamento rende uma economia de R$ 4 na área de saúde.

Segundo o Instituto Trata Brasil, em 2012 cerca de 300 mil trabalhadores se afastaram do trabalho por diarreias e perderam 900 mil dias de trabalho. Cada afastamento leva à perda de 17 horas de trabalho, o que fez as empresas gastarem R$ 1,11 bilhão em horas pagas, mas não trabalhadas efetivamente. A universalização dos serviços de água e esgoto possibilitaria uma redução de 23% no total de dias de afastamento por diarreia – algo em torno de 196 mil dias de afastamento a menos. Isso implicaria uma redução de custo de R$ 258 milhões por ano. “O retrato brasileiro está longe do ideal e mostra que os desafios são enormes”, afirma Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil.

O ranking do saneamento, divulgado este ano pelo Trata Brasil, mostra que os serviços de água e esgoto dos 100 maiores municípios continuam distantes do nível ideal. Entre 2009 e 2013, o percentual da população atendida pela coleta de esgotos subiu de 44,5% para 48,6%, enquanto o índice de perdas na rede de distribuição caiu de 41,6% para 37%, mas 36 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável. Já o volume de esgoto tratado em relação à água consumida subiu de 37,1% para 39%, ou seja, mais de cinco mil piscinas olímpicas de esgotos não tratados foram jogadas por dia na natureza em 2013.

Para universalizar os serviços de saneamento em 20 anos, seriam necessários investimentos superiores a R$ 400 bilhões, ou cerca de R$ 20 bilhões anuais, quase o dobro do que vem sendo investido.

 

Fonte: Jornal Valor Econômico, edição de 29 de outubro de 2015.

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